N.º de crianças a dormir nas ruas em França sobe mais de 42% desde 2022

PorExpresso das Ilhas, Lusa,26 ago 2026 14:27

Uma organização não-governamental (ONG) francesa e a ONU disseram hoje que mais de 2.300 crianças dormem nas ruas de França devido à falta de abrigos de emergência disponíveis, um aumento de 42% desde 2022.

A ONG Federação de Atores Sociais (FAS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apontaram que este número compromete a meta do Governo francês de "zero crianças nas ruas" definida em 2022.

"É urgente que os responsáveis pelas decisões públicas atuem. Um despertar político é vital para estas crianças. Se garantir abrigo para todas as crianças não é a nossa prioridade, o que é?", questionou a presidente da UNICEF França, Adeline Hazan.

Pelo menos 2.355 crianças, incluindo 514 com menos de 3 anos, ficaram sem abrigo depois de ligarem para o 115, o número de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo.

O número de crianças em situação de sem-abrigo aumentou 9% em relação a 2025 e 42% desde 2022, ano em que o Governo reafirmou a meta de "zero crianças nas ruas", apontaram as organizações.

Estes números não são exaustivos, afirmaram a FAS e a UNICEF, referindo que algumas famílias não conseguem contactar a linha de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo ou optam por não ligar.

Por outro lado, os menores desacompanhados em situação de sem-abrigo, bem como as famílias que vivem em ocupações ilegais ou bairros de lata, não estão incluídos na contagem.

"As consequências da situação de sem-abrigo na vida e no bem-estar das crianças são dramáticas: deterioração da saúde física e mental, isolamento social, exposição à violência e dificuldades de frequência escolar", sublinharam a UNICEF França e a FAS.

Em 2025, 14 crianças com menos de 4 anos e 12 adolescentes dos 15 aos 18 anos morreram nas ruas. A UNICEF França e a FAS defenderam, em particular, um plano maciço de construção de habitações sociais.

Em julho do ano passado, num relatório publicado por três inspeções-gerais concluiu que o programa de alojamento de emergência de França sofre de subfinanciamento crónico e de falta de supervisão, impedindo uma resposta às exigências atuais.

Com o aproximar das eleições presidenciais de 2027, FAS e UNICEF apelaram para que o combate à falta de habitação infantil se torne uma prioridade absoluta nas políticas de habitação e alojamento.

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,26 ago 2026 14:27

Editado porSara Almeida  em  26 ago 2026 17:19

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